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02/12/2006 - 02:28 O fantástico mundo de Grego
Hélio Rubens sempre foi um dos maiores defensores de uma Liga Nacional de clubes. Ano passado, viu o seu Uberlândia aderir, novamente, à panela da CBB. De volta à Franca, o feito se repetiu. Com bagagem, respeito e títulos, o técnico poderia ter batido pé com mais força pela entrada na NLB. Optou por calar-se novamente. Assim como fazem Paulistano e Rio Claro, dos assistentes complacentes Neto e Guerrinha, que comungam na cartilha da confederação. Não é dos treinadores que Grego precisa ter medo, portanto.
Ouvida pela coluna a respeito de seu imbróglio contra a CBB, Alessandra disse: "Prefiro não declarar nada, somente que faltou respeito". Ela não está errada. A fagulha foi acesa pela pivô, mas não compartilhada por atletas de renome. Não é desculpa que o maior basqueteiro em atividade (Leandrinho) viva no Arizona, e a melhor entre as mulheres (Iziane), na Letônia. Posicionar-se, como Nenê sempre fez, mesmo de maneira insensata, não depende de distância, principalmente neste mundo globalizado. Os atletas, a mão-de-obra afinal, também pouco fazem para valer seus direitos. Grego agradece novamente.
Responsável pelas verbas públicas destinadas ao basquete, é difícil pedir alguma atitude ao Ministério Público e dos Esportes. Incapaz (o MP) de deter os escândalos de Brasília, soaria como picardia exigir punições e explicações a algo muito menos significante. Preocupado com o novo ministério, Lula, o presidente, não deve saber dos desmandos da modalidade que recebe quase R$ 10 milhões dos cofres federais. Com sorriso amarelo, Grego ri por dentro e continua firme.
Algumas federações ainda tentam protestar. A carioca, por exemplo, faz um barulho falso, sem objetivo, e merece ser desconsiderada. As outras, a maioria evidentemente, apóiam e compactuam com as últimas administrações e medidas de Grego no comando da instituição. Reeleito pelos estados, o presidente não vê uma oposição com razoável força no país – mais que isso, os dissidentes não têm um amplo projeto de reformulação.
Com raríssimas exceções, ex-atletas pouco se manifestam. Se a memória dos torcedores de futebol é pequena, que dirá no basquete. Astros como Amaury Passos, Norminha, Marlene, entre outros, têm pouca voz ativa para criticar os desmandos da Confederação Brasileira. Pior que isso: quando são lembrados pela imprensa, falam de seus feitos como atletas (justo!), mas se esquivam quando o assunto é política. Sem prestar homenagens aos que construíram a história do jogo no país, Grego também conta com a benevolência dos ex-jogadores.
Pior presidente da história da CBB, nada (nem ninguém) parece ser capaz de deter ou questionar Gerasime em sua segunda medíocre gestão. Sem oposição, Grego vive em seu mundo perfeito, sem prestar contas a ninguém e pouco ameaçado.
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Iguaçu - Muitos leitores enviam, indignados, comentários a respeito do último tempo técnico da partida entre Iguaçu e Rio Claro, do técnico Guerrinha, cujas declarações bairristas criticando o Rio de Janeiro não merecem uma linha sequer.
Salve Fábio, olá amigos leitores. De fato, seria cômico se não fosse trágico o que aconteceu no desfecho daquele jogo no dia 27 de novembro. Com um time infinitamente superior, Rio Claro relaxou e permitiu que o Iguaçu cortasse a diferença para apenas cinco pontos, a 48 segundos do fim. O Roby Porto, que fazia a narração, chegou a falar: "Pedido de tempo. O técnico William quer desenhar uma jogada de ataque". Pois bem. O microfone do SporTV captou o seguinte discurso do treinador, transcrito aqui de forma absolutamente literal, palavra por palavra:
"Só eu falo! Só eu falo! Eu queria uma pergunta de vocês. Vocês querem ganhar o jogo? O que é que precisa para ganhar o jogo?
Nenhuma instrução, nenhuma dica, nenhum rabisco na prancheta. Os atletas voltaram à quadra, precipitaram dois chutes de três e perderam o jogo. Este time, note-se, é um dos 14 que compõem a elite do nosso basquete masculino. Então tá.
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