16/04/2007 - 00:48

Os filhos de Flint

Mais ilustre filho de Flint, minúsculo distrito de Michigan com cerca de 88km² e 125 mil habitantes, Michael Moore retratou em seu documentário de estréia (Roger e eu, de 1989) a trágica transformação da localidade com o fechamento da General Motors - a empresa automobilística decidiu tocar seus negócios no México, onde os funcionários receberiam menos que nos Estados Unidos. Lançado em 2005, o excelente Flintown kids segue a linha do controverso diretor de Fahrenheit 9/11 e tentar explicar o que acontece na terceira cidade mais violenta do país de acordo com dados do FBI de 2004.

A saída para os nascidos e criados em Flint é uma só: escapar do crime organizado através do basquete. Simples assim: jogar e treinar nas ruas, ganhar bolsa de estudos em alguma universidade e tentar uma carreira de sucesso. Tirando a parte da faculdade, soa familiar com a história de milhares de garotos brasileiros no futebol, não? Foi isso que o debutante-porém-competente diretor Omar McGee (que agora filma Who stole the soul?, documentário sobre o auge e a repentina queda do R&B, um dos ritmos musicais mais conhecidos dos EUA) conversou com assistentes sociais, professores, policiais, atletas que saíram de lá para brilhar com a bola laranja e, claro, aqueles que não tiveram tanta sorte e foram parar na marginalidade (leia-se tráfico de drogas).

O exemplo de Omar vem de casa. Também nascido em Flint e irmão das ex-jogadoras Pamela e Paula McGee, viu de perto que o basquete seria uma das poucas opções para quem quisesse vencer na vida. Altas, fortes, determinadas e com formação conservadora da mamãe Diane, elas atuaram juntas na Southern California e foram bicampeãs universitárias. Mesmo cortada na fase de testes da seleção americana para as Olimpíadas de 1984, Paula era uma das mais entusiasmadas na arquibancada quando Pamela (6.2 pontos, 42% nos arremessos e 3.2 rebotes no torneio) recebeu a medalha de ouro em Los Angeles.

Sem altura, talento e dedicação para esportes, coube a Omar o caminho mais tortuoso na perigosa Flint: estudar, procurar as artes e se manter distante da delinqüência. Melhor documentário do Festival de Filmes Independentes de Nova York de 2005 e com um retorno estimado de US$ 130 mil em bilheteria, Flintown kids tem o mérito de capturar o cerne do problema social da localidade: sem educação básica de qualidade e com uma população essencialmente negra de baixa renda, o diretor mostra como a cultura basquetebol-hip-hop fala alto na cidade. Entre outros, LeBron James, Tracy McGrady, Glen Rice e Jason Richardson viveram por lá, e mostram, com depoimentos esclarecedores e ao mesmo tempo estarrecedores, como é a realidade pouco conhecida do lugar.

Os direitos do ainda obscuro e “underground” Flintown kids (ótima edição, com depoimentos encadeados e emocionantes imagens) foram comprados pela gigante da mídia TWI (que gerencia, por exemplo, a carreira do tenista Roger Federer), que espera exibi-lo nas televisões do mundo. Ainda sem previsão de lançamento em locadoras, festivais e emissoras do Brasil, a saída é esperar para que Flintown kids, o melhor filme sobre basquete feito nos últimos anos, chegue ao Brasil em breve. Principalmente para acabar com a visão idealizada de que aqueles que hoje em dia vencem na modalidade não passaram por dificuldades.

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MAIS UM - A saga de Omar McGee em busca de explicações consistentes sobre os problemas sociais de Flint renderão, em breve, um novo filme. Com o nome de Thank God e previsão de lançamento para 2008, o docudrama é uma espécie de continuação de Flintown, mas com pequenas diferenças: será um pouco mais autobiográfico que a película de estréia e ainda mais contestador.

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TÊNIS - Considerado um dos maiores feitos da história do tênis mundial, o americano Malivai Washington foi o primeiro negro a chegar à final do aristocrático torneio de Wimbledon, em 1996 - quando perdeu para o holandês Richard Krajicek. A coincidência? Malivai estudou na Universidade de Michigan, mas viveu em Flint. Seu esporte favorito? O basquete...

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RIO - No sábado passado, Flávio Davis, técnico do Minas, ofereceu uma clínica aos interessados na modalidade, no Rio de Janeiro. A iniciativa foi promovida pela Associação de Técnicos do estado, comandada por Byra Bello, Marcio Andrade e Marcos Hygino e Marcelo Bunte.

 



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