12/03/2007 - 03:08

O abismo

No dia 12 de janeiro, fui à Gávea para ver Flamengo x Londrina. Meu primeiro jogo deste insosso Brasileiro da CBB. Uma partida fraca, tecnicamente falando, mas bastante reveladora para um estudo a respeito da estrutura do basquete e, por que não, do esporte brasileiro.

Ao lado do meu amigo Bruno Lima, cheguei ao Rubro-negro e estacionei o carro. Entramos no ginásio, que recebia um público razoável (cerca de 600 animados torcedores). Até aí, nada demais. O absurdo é: como um clube afogado em dívidas permite que o público (consumidores) assista a um evento sem pagar um tostão? No barato, o Flamengo perdeu, só naquele dia, R$ 3 mil.

No intervalo, eu e Bruno procuramos por algo que matasse nossa sede. Na porta do Hélio Maurício, um ambulante, que vendia até cerveja, fazia as honras da casa. Mas, peraí, e o bar credenciado do clube? Mais dinheiro que não entra nos cofres do maior do Brasil. Antes do terceiro período, aproveitei para ir ao banheiro, se é que podemos chamar assim. Um beco, com o piso molhado – exatamente por isso que vocês estão pensando. Arrisquei o mau cheiro, a escuridão e fiz o que deveria ser feito. Na hora de lavar as mãos, faltavam água e, evidentemente, papel.

Por isso, vale a pena ouvir o depoimento de André Balassiano, meu irmão, que no último dia 22 de dezembro foi com amigos a Sacramento para ver o jogo entre Kings e Nuggets, do Nenê.

Conta, André.

“Decidimos ir ao jogo na segunda-feira anterior e compramos o ingresso pela internet. Para nossa surpresa, dois dias depois os cartões magnéticos já estavam conosco. No sábado, teríamos de viajar por duas horas até Sacramento. Nada traumático”.

“Chegamos cedo à Arco Arena. Visitamos o ginásio, que depois ficaria lotado, vimos um show e fomos comer. Tudo lá dentro, claro. O guardanapo tinha o Mike Bibby bordado. Depois, fomos ao banheiro. Na porta, o rosto de Brad Miller dando as boas-vindas. Chega a ser pedante de tão mimado que somos”.

“Mas, sabe como é, decidimos arriscar. Apesar de o nosso lugar ser perto do teto, fomos às primeiras filas para uma sessão de fotos. Pedimos a um segurança para entrar na quadra. Ele deixou. O Denver, sem Iverson, aquecia. Arrisquei algumas palavras com Nenê, que fingiu não me ouvir – a fama de marrento, pelo menos para mim, persiste. Bem mais simpático, Carmelo Anthony falou e brincou conosco".

“Hora do jogo. Um espetáculo de luzes, com shows nos intervalos e muitos brindes. Em um dos milhares pedidos de tempo, um torcedor foi chamado à quadra. Ele deveria soletrar o nome de um dos jogadores do Denver para ganhar a camisa. O escolhido foi o pivô brasileiro, mas o americano trocou o E pelo A, disse N-A-N-A e perdeu. Outros presentes foram sorteados depois”.

“Ah sim, o jogo rolava na quadra. O Denver tentava, mas o tal Kevin Martin estava inspirado. No final, uma fila quilométrica de crianças esperava para cobrar lances-livres na quadra onde seus ídolos haviam acabado de pisar. Nós, claro, passamos nas lojas oficiais dos Kings e fizemos umas comprinhas”.

Acho que não precisa falar mais nada. Ingressos via internet, promoções durante o jogo, lojas credenciadas, banheiros limpos, restaurantes decentes e muito mais. O público, claro, se sente querido em um local desses. Eu e Bruno, sem essa sorte, comemos um pão-de-queijo na saída. Meu irmão e seus amigos jantaram na Hooters, lanchonete onde as garçonetes são, digamos, bem apimentadas.

Por conta dos meus estudos, passei alguns meses de 2006 na Espanha. Conheci museus, igrejas, restaurantes e, claro, o que é ser um clube profissional. Visitei os gigantes Real Madrid e Barcelona, além dos menores Sevilla e Bétis. Não seria necessário o depoimento do meu irmão para perceber o abismo que existe entre os centenários clubes brasileiros e os hiperprofissionais europeus e americanos. Não é só o Flamengo que precisa aprender, mas todo o esporte nacional.

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POUCO MUDOU - Também fui à Gávea para ver Flamengo x Brasília. Houve uma singela diferença: ingressos a R$ 3, para sócios e não-sócios. De resto, tudo na mesma. Sujeira, baixo nível técnico (dos atletas, dos técnicos e da arbitragem) e péssima estrutura...

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SCANLON - Uma das sensações da temporada universitária americana neste ano, os Valiants da Manhattanville foram eliminados nas eliminatórias do torneio principal da NCAA. Perderam por 101 a 81 para Guilford e se despediram. Entrevistado com exclusividade neste espaço, Pat Scanlon foi eleito o melhor técnico da Skyline Conference.

 



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