26/01/2007 - 00:03

Mentes brilhantes

“Quando me chamaram para a apresentação em Nova York, pensei que não daria conta do recado. Mas passei a estudar, me dedicar, não desgrudar o olho dos livros e dos ensaios com a orquestra. Aos poucos as pessoas foram aplaudindo, perdi o medo e fiquei à vontade. Para ser sincero, a cada elogio eu estudo mais, meu nível de exigência sobe. Comecei com 10 horas por dia, agora estou em quase 14”.

Este é o excepcional regente João Carlos Martins, que teve que abandonar a sua carreira de pianista devido a problemas físicos, em entrevista ao programa Manhattan Connection, do GNT. Exemplo de virtuosismo, estudo e dedicação, foi o convidado da famosa casa de espetáculos Carneggie Hall, uma das mais conhecidas dos EUA, para o primeiro show de 2007 – um concerto em homenagem à Floresta Amazônica. No repertório, Bach e Villa-Lobos, dois dos mais geniais e complexos compositores da música clássica mundial.

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“Não fiquei satisfeito com o que produzimos no Japão. Sinceramente, rendemos abaixo do esperado e me culpo por isso. Minha mulher não me agüenta mais. Desde que voltei do Oriente, a única coisa que faço é rever as partidas. Já assisti a todas milhões de vezes. Até as do Líbano eu vi. Não repetiremos os nossos erros na próxima competição. Já sei onde erramos e nossa próxima carga de treinamentos será ainda mais forte”.

Este é o técnico da seleção argentina de basquete, Sergio Hernandez, quarto colocado no Mundial, entrevistado com exclusividade pelo Rebote. O minidepoimento, conseguido com muita insistência, foi por exatos cinco minutos, tempo estipulado pelo treinador, que fala com Ginóbili e Nocioni todos os dias por telefone e disse estar desesperado atrás de novas formas de conhecimento. Transformou a sua casa em laboratório de edição de vídeos, clínicas e biografias e vive trancafiado nele.

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“Conheci André Agassi em 1981, e ele tinha 11 anos. Já tinha talento, mas era massa bruta. Em 1994, já campeão de Wimbledon e uma estrela, era o mesmo gênio e diamante bruto. Por isso, quando me convidou para ser seu treinador, utilizei o meu método de estudo. Quando era atleta, jogava antes do jogo. Tinha um caderno de anotações com descrições de todos os tenistas. Como era a esquerda, a direita, o jogo de saque-e-voleio, o spin da bola, tudo o que fosse relevante para derrotá-los. Poderia perder, mas não por falta de conhecimento. Sabia tudo sobre o meu adversário do dia seguinte, e ia mentalizando as possíveis jogadas, os ataques, as minhas defesas, como reagir. Meu caderno venceu semifinais por mim, levou-me a níveis que não poderia crer. Derrotei Boris Becker, aposentei John McEnroe na Masters Cup. Adotei o mesmo artifício com Agassi. Ele, que jogava da mesma maneira com todos, passou a conhecer e destrinchar todos os seus inimigos. Aprendeu a detê-los e miná-los. Não fiz nada demais, apenas mostrei a ele que para vencer é preciso muito mais que técnica. É preciso esforço e estudo”.

Este é o técnico e ex-jogador Brad Gilbert, maior responsável pela recuperação do mito Andre Agassi no fim dos anos 90, em sua biografia Winning ugly. Gilbert chegou a ser o quinto do mundo na década de 80, sem recursos técnicos para isso. A sua força mental e dedicação estudos fizeram com que ele ganhasse o apelido de “O destruidor de gigantes”, por vitórias impossíveis contra gênios do esporte.

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“Não consigo dormir durante as competições. Fico com pena do meu companheiro de quarto. As luzes ficam acesas, porque eu leio tudo o possível, vejo vídeos com nossos melhores momentos, assimilo as qualidades, procuro os defeitos, imagino como os nossos adversários tentarão nos vencer no dia seguinte. Admito que por vezes passo dos limites, mas é pelo bem do meu time. Meus jogadores precisam descansar, eu, não. O que eu posso, apenas, é capacitá-los para que estejam com tudo mentalizado e afinado para a hora do jogo. Só conheço uma maneira de chegarmos a este ajuste: treinando, se preparando”.

Este é Bernardinho, campeão olímpico e bi-mundial, em seu Transformando suor em ouro.

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Exemplos não faltam para mostrar que o estudo e a carga de treinamentos determinam o sucesso de uma equipe, ou atleta, em uma competição. Que as lições citadas sirvam para as seleções brasileiras de basquete, que lutam por vagas olímpicas e, o mais importante, pela recuperação da auto-estima da modalidade no país.

 



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