15/01/2007 - 22:30

Fio de esperança

Lula Ferreira entra em 2007 com uma responsabilidade imensa: recolocar a seleção brasileira de basquete em uma Olimpíada, fato que não acontece desde 1996, quando Oscar se despediu do time nacional. Crise interna, críticas a respeito dos métodos de trabalho da comissão técnica, falta de resultados, nada tira o otimismo do treinador. Em entrevista exclusiva ao Rebote, via e-mail, ele diz acreditar na vaga direta para Pequim e afirma que a média de idade não pode ser considerada um fator preponderante para a falta de resultados dos últimos anos.

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- O Brasil se classifica para as Olimpíadas de Pequim?
- Acreditamos fortemente que o Brasil pode alcançar sua classificação direta e sabemos que, para isto, teremos que vencer adversários de altíssima qualidade. Temos confiança em nossos atletas e na comissão técnica, e todo esforço que o basquete brasileiro precisa, e merece, será feito no sentido de alcançarmos nosso objetivo.

- O que aconteceu no Mundial do Japão?
- Evidentemente, não foi fácil para ninguém, e para mim especialmente, digerir o resultado do Mundial. Tenho a obrigação de fazer, junto com meus companheiros de comissão técnica e dirigentes da CBB, como fizemos, uma avaliação criteriosa e muito meticulosa de todo trabalho realizado, para que as decisões futuras possam ser tomadas de forma adequada.

- A baixa média de idade da seleção é apontada como um dos motivos das derrotas. A Grécia, vice do mundo, possui média semelhante. Por que os europeus conseguem resultados, e o Brasil, não?
- O tema é muito complexo para que uma só variável, a idade no caso, possa ser determinante exclusiva.

- Muitos críticos consideram a carga de treinamentos da seleção defasada, principalmente em relação aos fundamentos. O que você acha disso?
- Ouço e leio todas as opiniões e reflito para tomar as decisões. Independentemente dos analistas, nós da comissão técnica temos como norma de trabalho fazer a nossa crítica e lidar com as opiniões divergentes, pois só assim se pode crescer e progredir.

- Após o Mundial, Leandrinho reclamou que havia sido escalado na posição errada. Não caberia ao atleta, também, este diálogo com o treinador?
- Trabalhamos de uma forma bastante aberta com todos os jogadores e eles têm a oportunidade de expressar seus anseios e opiniões. O diálogo existiu com todos e acredito que jogadores e comissão técnica fomos sinceros e leais com o basquete brasileiro.

- Você acredita em “perder nos detalhes” ou “sorte” em uma partida de basquete?
- Numa partida equilibrada, um acerto a mais pode significar uma vitória e um erro a mais pode significar uma derrota. Não acredito de forma alguma em sorte ou azar.

- Muita gente defende a presença de um técnico estrangeiro na seleção masculina. O que você acha disso?
- Acho que na função que exerço hoje não devo ficar opinando sobre um tema que pode sugerir uma defesa pessoal, o que nunca fiz e não pretendo fazer, pois entendo que a importância do cargo esta muito acima de qualquer vaidade pessoal.

- Como está sendo seu método de estudos nestes meses que antecedem os Jogos Pan-Americanos e o Pré-Olímpico?
- Toda competição internacional necessita de uma preparação muito cuidadosa, e sempre procuramos esgotar tudo que é possível de realizar. Estudar sua equipe é sempre muito importante e conhecer todo esquema de jogo dos adversários, tanto na forma coletiva (tática), como na individual. É preciso assistir aos jogos das seleções e das equipes. É preciso também estudar de forma continuada este inesgotável jogo que é o basquetebol. Precisamos focar no jogo coletivo, e aprimorar, cada vez mais, o sistema defensivo, para ganhar a segurança no sistema ofensivo. Assisti a todos os jogos do Brasil, várias vezes, e os principais jogos das quatro melhores seleções. Acho que nossa principal falha foi não jogar coletivamente, tanto no ataque quanto na defesa.

- Qual o último bom livro que você leu? De basquete ou não.
- Penso que uma das maiores fontes de conhecimento e experiência seja a leitura. Procuro sempre uma leitura, além do universo do basquete. Gostei muito de O 8º hábito, de Stephen Covey, e A era da corrupção, com os 10 maiores casos de repercussão de mídia no Brasil: o afundamento da plataforma da Petrobras e o acidente do Fokker da TAM, entre outros.

- As críticas te deixam irritado, Lula? Você as considera injustas?
- O cargo de técnico de seleção nacional exige um preparo além daquele específico da modalidade. Toda função pública é sujeita a crítica. O mais importante é extrair da crítica aquilo que ela pode te ajudar, e não ficar melindrado ou se achando injustiçado.

- As constantes brigas internas do basquete influenciam nos resultados não conquistados pelas nossas seleções?
- Não quero nenhum escudo para proteger o trabalho realizado.

- Recentemente, em convocação da seleção cadete, César Guidetti chamou o grego Adonis Sousa, que já tinha declarado a intenção de defender a Grécia. Você é o coordenador da seleção. Por que isso aconteceu?
- O técnico César Guidetti se baseou em conversa pessoal que teve com o atleta.

- Você gostaria de deixar algum recado aos torcedores e aos críticos?
- Que estaremos sempre lutando e trabalhando pela melhoria constante deste maravilhoso esporte que é o basquete.

 



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