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04/01/2007 - 00:10 Glory Road
Glory road não é um filmaço. Repete o formato de películas esportivas conhecidas (Coach Carter e O amor em jogo, por exemplo), omite informações extra-quadra importantes e, como sempre, é pior do que o livro homônimo de onde foi originado. Mas a direção do estreante James Gartner e a produção do experiente Jerry Bruckheimer (Piratas do Caribe e Top Gun) têm méritos. O principal é o da perpetuação da memória.
A película gira em torno de Don Haskins, que nadou contra a corrente e decidiu recrutar atletas negros para Texas Western, conhecida pela segregação entre negros e brancos. Oriundo do basquete colegial feminino, o processo passou a ser visto com ainda mais desconfiança por dirigentes e patrocinadores – que pressionaram o reitor, pois não queriam ver as suas marcas “expostas em pessoas como aquelas”. Um dos jogadores, Nolan Richardson (que levou o inexpressivo Panamá ao Mundial do Japão), foi campeão como técnico por Arkansas (1994).
Inicialmente contratado para viver Haskins, Ben Affleck declinou em virtude de problemas com sua agenda. Coube a um Josh Lucas (Uma mente brilhante e Lar, doce Lar) 19kg mais forte o papel principal. Como é comum para este tipo de filme, Tim Floyd, assistente de Haskins na Texas Western e filho de Lee Floyd (ex-técnico e atleta da Universidade), foi o consultor do protagonista. Poucos percebem, mas o Don Haskins verdadeiro aparece como frentista em um posto de gasolina. Jon Voight, que vive o mítico e etnocentrista Adolph Rupp, teve que usar orelhas postiças e enchimento na bochecha e no nariz para ficar com o rosto arredondado do treinador.
Por “culpa” de seu visual anos 60 (pele branca, cabelos negros e dentes claros), Kirk Hinrich (dos Bulls) foi convidado para atuar – a produtora (Disney) alega conflito de calendários; fontes revelam que o Chicago não quis ver a imagem de um de seus atletas envolvida em um filme cuja história é polêmica. Para quem gosta de trilhas-sonoras, Glory Road, que virou nome de rua entre os dois ginásios do campus da Texas Western (agora UTEP), dá um show. A competente Alicia Keys canta “Sweet Music”, o craque Stevie Wonder interpreta “Uptight”, os Tempations aparecem na faixa “I can`t get next to you”, entre outras conhecidas vozes. Por fim, a imagem do time utilizada no fim da película é real – os atores não participam da cena.
Como já cansou de dizer Pat Riley, um dos dois All-American de Kentucky (o outro era Louie Dampier), o jogo e a Texas Western mudaram a história de toda uma idéia do esporte. Foi a partir daquele dia que estrelas como Bob McAdoo e Magic Johnson começaram a acreditar que poderiam ser profissionais de basquete, independente da cor. Mesmo com seus erros, Glory Road cumpre o seu papel. O de resgatar um momento importante e crucial do esporte americano.
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Erros - Como acontece em todos os filmes de “resgate”, este é recheado de erros. Em uma das cenas, o placar do ginásio mostra que faltam “:55” para o fim da partida. Momentos depois, lá está o zero à frente: “0:02”. Na transmissão do jogo final, exibido na NBC, o símbolo da emissora está errado (aquela logomarca foi criada apenas em 1979). Uma das flâmulas que aparecem na academia da universidade (Western Athletic Conference) é equivocada – a Texas Western só aderiu à WAC em 1967. Billy Joe Royal canta no ônibus uma música ("Down in the Boondocks") que só foi lançada em 1969. Por fim, Don Haskins afirma, logo no começo, que é uma honra treinar uma equipe da Division I – na década de 60 havia apenas duas subdivisões: University Division e College Division.
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Tática e técnica - Taticamente, a Texas Western (26-1 na fase regular de 1966), que venceu Duke na semifinal, não apresentou nenhuma inovação ao basquete mundial. O diferencial do time era a defesa (62 pontos sofridos, em média, na campanha), com pressão por toda a quadra. Na final, Kentucky acertou apenas 38% dos arremessos. Atualmente com 74 anos, Don Haskins, que foi assistente do lendário Hank Iba nas Olimpíadas de 1972, terminou sua carreira em 1999 com 719 vitórias e 353 derrotas na NCAA.
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Coincidência - Na despedida de Adolph Rupp do basquete, em março de 1972, Kentucky, com cinco titulares brancos, enfrentou Florida State, de quinteto negro, em casa. Rupp perdeu o último de seus 1.066 jogos...
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