Antes de começar as análises, vamos às flores: parabéns ao time de Brasília pela campanha irrepreensível, ao veterano Pipoka, que 20 anos depois do título mais importante do basquete brasileiro nos últimos tempos (o Pan de 87) encerra a sua carreira com outro caneco, e ao público da capital federal, que compareceu e festejou como poucos neste Nacional. E só.
É impossível não enxergar os erros do Nacional da CBB (aliás, por onde anda o pessoal da NLB?). Problemas estruturais terríveis (jogos finais em dias seguidos e a maratona de Franca ao final da primeira fase, por exemplo) e as péssimas arbitragens (contemplativas, compensatórias e sem critério) foram duas das razões da qualidade técnica abaixo da crítica neste campeonato que se deteriora a cada ano. O maior problema, no entanto, foi a negligência técnico-tática dos técnicos e jogadores.
Falar da carga tática do vice-campeão Franca não chega a ser novidade. Apesar de “repaginada”, a filosofia de Hélio Rubens não traz nada de novo nem de eficaz. Da mesma maneira, o elenco de Brasília, comandado por José Carlos Vidal, é submetido a um estilo de jogo que não dá resultados em torneios de alto nível faz tempo (as mesmas duas décadas citadas ali em cima). Jogar um basquete de velocidade, irresponsável e com defesa frouxa (com exceção de Alex) é sinônimo de sucesso apenas em territórios poucos férteis.
Sem entrar na qualidade dos atletas, a comparação entre os campeões da NBA (San Antonio Spurs), Euroliga (Panathinaikos) e do Nacional é pertinente. Com estilos cadenciados, sem forçar arremessos de fora e controlando o relógio dos 24 segundos, San Antonio e o time grego apresentam os seguintes números: se contarmos apenas a pós-temporada, os jogadores de Gregg Popovich arremessaram 78.5 vezes (convertendo os 94.2 nos 48 minutos do basquete americano nos 40 do basquete FIBA), desperdiçaram 11.5 posses por partida, 16.3 vezes lançaram da linha de três pontos (com aproveitamento de 38%) e 54% dos chutes convertidos vieram de assistências (19.9 por partida). Se a imprensa considera a forma texana de atuar “travada”, imaginem o que eles diriam se prestassem atenção ao Panathinaikos: 52.5 posses, 14.2 erros (terceiro pior índice da Euro), 18.8 arremessos de três (37,8% de acerto) e 62% dos arremessos vieram de passes dos companheiros.
Que tal o Brasília, de Alex Garcia (o melhor e único jogador lúcido deste campeonato), no mata-mata? Foram 85.3 posses de bola por partida, 13.4 desperdícios de bola por jogo (quarta melhor média do playoff), absurdos 28.9 tiros de três pontos (34.8% de eficiência) e menos de metade dos pontos (47%) veio de passe dos companheiros. Apenas para ter uma idéia da discrepância, o time candango teve 32.8 posses de bola que o Panathinaikos.
Enquanto os times brasileiros praticarem o jogo que é exercido somente por aqui, não será surpresa alguma que os resultados internacionais continuem a ser o que são há quase 10 anos: fiascos. Sem controle de bola, treinamento adequado e fundamentos apurados, não se compete em alto nível. Nada contra a marra-produtiva de Nezinho, o esforço Márcio Cipriano e a disposição do correto Arthur, mas eles representam o que há de mais equivocado em termos de basquete moderno no mundo.
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COMEÇO - Alex, que recentemente rejeitou vaga no CSKA russo (o venezuelano Oscar Torres ocupou o posto), merece uma nova chance no basquete internacional de alto nível.
MEIO - O Brasil, no sub-21 feminino, perdeu para a Espanha na segunda prorrogação (90-86), foi surrado pelos Estados Unidos (96-40) e sofreu para vencer as japonesas (85-72, depois de 39-34 no intervalo). Mas o país lidera a competição em um quesito: erros por partida. Até agora, 24.5 por jogo. Genial, não?
FIM - Até quando assistiremos a espetáculos circenses como o do final do jogo 4? Pensando bem, o pior Nacional de todos os tempos teve o final que merecia...
FIM DE UMA ERA - Depois de Manu Ginóbili, Andres Nocioni e Fabrício Oberto, ontem foi a vez de Pepe Sanchez pedir dispensa da seleção argentina para o torneio Pré-Olímpico de Las Vegas. A informação, ainda não divulgada por aqui, está neste endereço. Com uma Argentina renovada, sem o mesmo potencial técnico e físico, e com a volta de Nenê e Valtinho, a seleção brasileira só perde a vaga nos Jogos de Pequim se a comissão técnica de Lula Ferreira for muito negligente taticamente. Ou seja: temos boas chances de ficar de fora mais uma vez...
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