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05/05/2007 - 00:33 O mestre da bagunça
Duas semanas depois, eu pergunto: e agora? Alguém aí tem dúvidas sobre quem é o treinador número 1 deste início de playoff?
A uma semana de completar 67 anos, Nellie acaba de executar uma performance histórica à beira da quadra. Botou no bolso o pupilo Avery Johnson e voltou oficialmente ao cenário.
A habilidade como gerente, claro, tem um peso enorme. As contratações de Al Harrington e Stephen Jackson, o trabalho psicológico com Baron Davis, a sabedoria ao envolver a torcida, tudo isso contribuiu muito. Mas Nelson despachou o time de melhor campanha da liga, basicamente, pelo absurdo talento que tem com uma prancheta na mão e algumas idéias na cabeça.
Ninguém na NBA sabe bagunçar um time melhor do que ele.
E não estou falando dos adversários, mas do próprio elenco. Ao longo da carreira, sempre foi assim: tira pivô, põe ala na armação, deixa baixinho marcando grandalhão, manda grandalhão perseguir baixinho, vira o livro de táticas do avesso, e por aí vai.
Além dos acertos óbvios, como a ressurreição de Davis e a aposta em Jackson, Nelson teve outros méritos na série.
Soube, por exemplo, usar Andris Biedrins na medida certa.
O joven pivô da Letônia ganhou a vaga de titular no início do confronto, mas nem por isso ficou em quadra o tempo todo. Tanto que teve média inferior a 19 minutos por partida.
Do outro lado da quadra, a medida exata entre o jogo de garrafão e o small ball passou longe do caderninho de Avery Johnson. O exemplo mais claro veio no início do quarto período do jogo 6. Sem DeSagana Diop embaixo da cesta, o Dallas permitiu inúmeros rebotes ofensivos do adversário justamente no momento em permitir a segunda chance seria doloroso ao extremo.
Outro acerto de Nellie foi não forçar a barra com Monta Ellis e Al Harrington. O ala-armador tinha acabado de ganhar o prêmio de maior evolução, e nem por isso o treinador se sentiu obrigado a usá-lo. Com baixo aproveitamento de arremessos, o garoto viu seu tempo de quadra reduzido de 34.3 minutos na temporada regular para apenas 26 neste início de playoff.
Com Harrington, a mudança foi ainda mais radical.
Ele foi titular nas 42 partidas da primeira fase desde que se transferiu para o Golden State. No mata-mata, caiu de produção e passou acertar apenas 25% dos chutes. O técnico não pensou duas vezes e o mandou para o banco. A média de minutos caiu de 33.6 para 19.5, e a de pontos despencou de 17 para 4.5.
Mesmo sem a produção habitual de duas peças importantes do elenco, os Warriors deram um show. Dirk Nowitzki só viu a bola no fim do jogo 5, e isso foi fatal para as pretensões do Dallas.
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Um atleta que parte para a infiltração, faz a bandeja, sofre a falta de Tim Duncan e leva um jogo 7 à prorrogação dentro de
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Enquanto a turma dos Mavs tenta se curar da ressaca, Don Nelson terá muito trabalho na próxima fase, seja contra Rockets ou Jazz. O fato de enfrentar um garrafão mais forte (com o chinês Yao Ming ou o trio Boozer/Okur/Kirilenko) provavelmente vai limitar um pouco os experimentos criativos do treinador. Será preciso corrigir erros - como a chuva insana de tiros de três no jogo 5. Desta vez, o adversário vai ter gente para pegar rebote.
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A torcida de Oakland, realmente, é um negócio inacreditável.
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Só para provocar um pouquinho: Nelson tem hoje a mesma idade de Hélio Rubens. Sem querer comparar os métodos de trabalho, há um inegável traço de personalidade em comum: os dois mostram, em 2007, que se recusam a cair na armadilha da acomodação. Bom para o basquete, tanto lá como cá.
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